Meus olhos já estão fracos demais. Desnutridos. Secos.
Sou uma só. E durei enquanto durou o amor. Na hora a gente nunca sabe nem pode mesmo saber, fica tudo natural como o dia que sucede à noite, como o sol, como a lua, como o ontem e o sempre, como ele e eu. Eu não pensava no fim como não pensava em respirar. Alguém por acaso fica atento ao ato de respirar? Fica, sim, mas quando a respiração se torna afiada feriando cada pedaço do peito, como uma tortura da qual só a morte pode salvar. Então dá aquela tristeza, puxa, eu respirava tão bem...
Caminho e ninguém percebe que eu me arrasto. Não sei por que essas coisas de doer acontecem com a gente, tudo deveria ser certo, permanecer certo quando existe o amor. Eu paro de andar e me encosto na parede, uma penumbra me acompanha, meu peito esquartejado. Minha voz falha. Lembrei-me então de tudo o que ele havia me dito. Não quero nem devo lembrar, só sei que em redor de tudo era silêncio e treva. E me sinto bem no meio dessa solidão. Porque a parte mais difícil do amor é quando você precisa matá-lo e lhe falta força.
Fiquei assim. Só em osso. Morri e esqueceram de me levar flores. Não seria possível permanecer viva sem coração. E de algum jeito eu sei que nunca vou conseguir descansar em paz, porque ele nunca mais vai voltar. Um funeral do amor, onde quem morreu fui eu.
Não venha me dizer que ninguém morre de amor, porque para mim isso é um prazer.
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